Pré-maturadores nutricionais: estratégia sustentável para o aumento da qualidade e produtividade da cana-de-açúcar

4 de abril de 2025

Como a nutrição equilibrada pode antecipar a maturação e elevar o teor de sacarose da cana, otimizando a cadeia produtiva do setor sucroalcooleiro


 Um dos principais desafios da indústria é ter à disposição um volume de cana-de-açúcar com qualidade tecnológica adequada ao processamento, seja para produção de etanol ou açúcar. A maturação da cana de açúcar é fator determinante para o processo industrial, pois, do ponto de vista fisiológico é onde se expressa o máximo potencial de armazenagem de sacarose, e ocorre de forma natural, conforme o clima da região de plantio, sendo crucial para a produção e colheita da cultura. 


Com a crescente demanda por produtos de alta qualidade no setor sucroalcooleiro, no entanto, o mesmo fator climático que induz a maturação pode ser considerado negativo ao processo de produção de sacarose na planta da cana-de-açúcar, já que se faz necessária a combinação de temperatura, umidade do solo, precipitação, radiação solar, entre outros fatores para que o processo seja desencadeado.


Sabe-se também, que a maturação da cana-de-açúcar pode ser induzida por meio de químicos com capacidade de alterar a composição fisiológica da planta, atrasando e/ou parando o estádio vegetativo, otimizando a translocação dos açúcares produzidos para o colmo e promovendo maior qualidade na matéria prima, o que é considerado excelente por parte do setor agroindustrial, e otimiza o planejamento de cultivo e colheita.


Mas, e, se fosse possível incrementar o teor de sacarose disponível para que, quando o manejo com maturador químico fosse realizado os níveis de açúcar da planta fossem maiores e, consequentemente, houvesse maior acúmulo deste açúcar?


Com esse intuito, o uso de pré-maturadores nutricionais tem se mostrado ferramenta eficiente para melhoria da qualidade da matéria prima produzida, pois potencializam a produção e o acúmulo de sacarose. Diferem dos químicos pois atuam no metabolismo da planta, por meio de nutrição equilibrada e ativação de processos fisiológicos, permitindo que a cana-de-açúcar atinja o ponto ideal de colheita em um período reduzido, sem comprometer o crescimento da cultura e sua capacidade produtiva nas próximas safras.


A aplicação de nutrientes específicos pode modular a ação de hormônios vegetais como auxinas, giberelinas, e citocininas, favorecendo a maturação da planta. Além disso, elementos como o magnésio, por exemplo, contribuem para a ativação da clorofila, promovendo um metabolismo mais eficiente, com consequências positivas para a translocação de açúcares para os colmos. O potássio e o boro desempenham papel essencial na mobilização e armazenamento de açúcares, elevando o teor de sacarose na planta. Ainda, o fornecimento equilibrado de zinco e manganês pode melhorar a eficiência da planta em condições de adversidade, como estresse hídrico e temperaturas elevadas, participando, também, da ativação de hormônios relacionados à maturação.


Sendo assim, a aplicação desses produtos na cultura da cana-de-açúcar apresenta uma série de vantagens, tais como:

 

  1. Aumento na produtividade agroindustrial, já que o maior teor de sacarose melhora o rendimento na produção de açúcar e etanol, reduz custos e ocasiona incrementos significativos na eficiência do processo industrial;
  2. Redução de impurezas vegetais, pois em um processo de maturação uniforme há menor presença de folhas e outros materiais indesejados no momento da colheita;
  3. Melhor aproveitamento da colheita mecanizada, também ligada a uniformidade da maturação, que permite que a colheita ocorra de forma mais eficiente, minimizando perdas;
  4. Maior sustentabilidade e menor impacto ambiental, pois são compostos por elementos essenciais à nutrição vegetal, absorvidos pelas plantas e que não ocasionam danos ao meio ambiente.

 

A utilização de pré-maturadores nutricionais deve ser planejada considerando fatores como variedade, condições climáticas e estágio de desenvolvimento da cultura. O manejo adequado é fundamental para otimizar a produtividade e qualidade da matéria-prima destinada à indústria sucroenergética já que estes produtos atuam antecipando a maturação e promovendo maior acúmulo de sacarose.


Usualmente, recomenda-se a aplicação entre 45 e 60 dias antes da colheita, ou mesmo 30 dias antes da previsão de entrada com um maturador químico, período em que a planta está em pleno enchimento dos colmos e acúmulo de açúcares, porém, resultados recentes mostram incrementos significativos também quando utilizados junto a maturadores químicos.

 

Pesquisas recentes conduzidas pelo consultor Pedro Henrique de Cerqueira Luz (AgroPH) mostram que o uso desta ferramenta de manejo em pré-maturação pode incrementar a produtividade dos colmos em até 12 toneladas de cana por hectare (TCH) e até 3 kg de ATR. Ainda, a utilização destes tem aumentado a tolerância a adversidades, refletindo em maior eficiência fisiológica, maior estabilidade produtiva e maior entrega em ATR e TCH.


A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas do mundo e, no Brasil, tem presença significativa na economia local e nacional. Para obtenção de altas produtividades, entretanto, é necessário adequar o sistema de cultivo e adotar práticas de manejo assertivas, o que inclui o uso de nutrientes, de forma a otimizar a entrega de matéria prima, bem como alcançar a qualidade necessária para um eficiente processamento industrial, fazendo com que tanto indústria quanto produtor alcancem o máximo da rentabilidade do sistema.


Autor(a): Carolina Ruv é Engenheira Agrônoma, Doutora em Agricultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas – UNESP/Botucatu. Atualmente, é Coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento Agronômico da Union Agro. 

25 de novembro de 2024
O conceito de adjuvante é “Qualquer substância ou composto sem propriedades fitossanitárias, exceto a água, que é acrescido numa preparação da calda de defensivos, para facilitar a aplicação, aumentar a eficácia ou diminuir riscos.” (Kissmann, 1998). Portanto as diferentes composições de adjuvantes existentes, quais sejam: óleos minerais, óleos vegetais, uréias, resinas, entre outros; possuem características de atuações diferentes. Quando escolhidos e utilizados de forma correta, podem aumentar a eficácia e interferir no resultado, por exemplo, reduzindo em até 30% o impacto na perda por qualidade da água (dado da Cotrisoja). A atuação dos adjuvantes, geralmente, tem 2 principais focos, que podem estar combinados num produto só, que são: - Aumentar a eficiência dos defensivos : aumentar a penetração na planta; manter o defensivo por mais tempo em contato com a superfície da folha (efeito adesivo); diminuir deriva; aumentar a superfície de contato com a folha (efeito surfactante, espalhante) e manter maior umidade por mais tempo na superfície de contato (umectante). - Melhorar a condição da calda de aplicação: ajustar o teor de acidez da calda (pH da calda); manter o teor do pH estável por várias horas (efeito tamponante); melhorar/homogeneizar a mistura dos defensivos no tanque (efeito emulsificante); estabilizar a mistura no tanque por mais tempo; promover a dispersão de partículas, evitar que elas se aglomerem (efeito dispersante); complexar cátions livre (sequestradores de cátions, neutralizar o cálcio de “água dura”, etc.) e antiespumantes. Dentre as opções disponíveis, os óleos minerais são largamente utilizados no mercado, alguns com outros componentes, como o Triomax (agente emulsificante, redutor de ph, etc.) que definem as principais características de atuação. Apesar das diversas atuações, via-de-regra, algumas características se sobressaem a outras, por exemplo: pelo fato de ser óleo, é um excelente penetrante (dissolvem as gorduras das cutículas das membranas das células) e pode conter na sua composição complexante (melhora a condição da água: “dura”, alto teor de matéria orgânica, impurezas, etc.) e redutor de ph (acidifica a calda para aplicação com herbicidas, por exemplo). Ainda em relação à óleos, alguns óleos vegetais possuem em sua composição óleo de casca de laranja, como o Bravium . Estes óleos diferenciados são compatíveis com todas as culturas agrícolas, inclusive as mais sensíveis para defensivos, como por exemplo, feijão, morango... e possuem ainda um efeito no desalojamento de pragas, ou seja, o seu “aroma” força a movimentação de insetos nas áreas aplicadas, fazendo com que a praga “escondida” sob a palha, ou folhas, entre em contato com o inseticida aplicado em conjunto. Portanto, a escolha do adjuvante correto pode definir o sucesso da utilização dos defensivos.  Autor: Diego Marsão - Gerente Comercial da Union Agro
15 de outubro de 2024
Aplicações foliares de verão para mitigar perdas nas queimadas
FBN – A fábrica biológica de adubo nitrogenado
14 de outubro de 2024
O uso de micronutrientes como manganês, cobalto, molibdênio e níquel, proporcionam um eficiente processo de fixação biológica e metabolismo do nitrogênio, que refletirá na produtividade e no menor gastos com fertilizantes nitrogenados.
10 de outubro de 2024
Maximização de lucros no canavial
26 de agosto de 2024
ATR – quanto vale sua cana-de-açúcar?
24 de julho de 2024
Linha NutryGran é + Enxofre do início ao fim
29 de setembro de 2023
O canavial em plena atividade: uma análise da fisiologia durante a época seca
29 de setembro de 2023
Uso de bioestimulantes na agricultura
29 de setembro de 2023
Enxofre – Importante e negligenciado
Show More

Contate-nos

25 de novembro de 2024
O conceito de adjuvante é “Qualquer substância ou composto sem propriedades fitossanitárias, exceto a água, que é acrescido numa preparação da calda de defensivos, para facilitar a aplicação, aumentar a eficácia ou diminuir riscos.” (Kissmann, 1998). Portanto as diferentes composições de adjuvantes existentes, quais sejam: óleos minerais, óleos vegetais, uréias, resinas, entre outros; possuem características de atuações diferentes. Quando escolhidos e utilizados de forma correta, podem aumentar a eficácia e interferir no resultado, por exemplo, reduzindo em até 30% o impacto na perda por qualidade da água (dado da Cotrisoja). A atuação dos adjuvantes, geralmente, tem 2 principais focos, que podem estar combinados num produto só, que são: - Aumentar a eficiência dos defensivos : aumentar a penetração na planta; manter o defensivo por mais tempo em contato com a superfície da folha (efeito adesivo); diminuir deriva; aumentar a superfície de contato com a folha (efeito surfactante, espalhante) e manter maior umidade por mais tempo na superfície de contato (umectante). - Melhorar a condição da calda de aplicação: ajustar o teor de acidez da calda (pH da calda); manter o teor do pH estável por várias horas (efeito tamponante); melhorar/homogeneizar a mistura dos defensivos no tanque (efeito emulsificante); estabilizar a mistura no tanque por mais tempo; promover a dispersão de partículas, evitar que elas se aglomerem (efeito dispersante); complexar cátions livre (sequestradores de cátions, neutralizar o cálcio de “água dura”, etc.) e antiespumantes. Dentre as opções disponíveis, os óleos minerais são largamente utilizados no mercado, alguns com outros componentes, como o Triomax (agente emulsificante, redutor de ph, etc.) que definem as principais características de atuação. Apesar das diversas atuações, via-de-regra, algumas características se sobressaem a outras, por exemplo: pelo fato de ser óleo, é um excelente penetrante (dissolvem as gorduras das cutículas das membranas das células) e pode conter na sua composição complexante (melhora a condição da água: “dura”, alto teor de matéria orgânica, impurezas, etc.) e redutor de ph (acidifica a calda para aplicação com herbicidas, por exemplo). Ainda em relação à óleos, alguns óleos vegetais possuem em sua composição óleo de casca de laranja, como o Bravium . Estes óleos diferenciados são compatíveis com todas as culturas agrícolas, inclusive as mais sensíveis para defensivos, como por exemplo, feijão, morango... e possuem ainda um efeito no desalojamento de pragas, ou seja, o seu “aroma” força a movimentação de insetos nas áreas aplicadas, fazendo com que a praga “escondida” sob a palha, ou folhas, entre em contato com o inseticida aplicado em conjunto. Portanto, a escolha do adjuvante correto pode definir o sucesso da utilização dos defensivos.  Autor: Diego Marsão - Gerente Comercial da Union Agro
15 de outubro de 2024
Aplicações foliares de verão para mitigar perdas nas queimadas
FBN – A fábrica biológica de adubo nitrogenado
14 de outubro de 2024
O uso de micronutrientes como manganês, cobalto, molibdênio e níquel, proporcionam um eficiente processo de fixação biológica e metabolismo do nitrogênio, que refletirá na produtividade e no menor gastos com fertilizantes nitrogenados.
Share by: