Autor(a): Carolina Ruv é Engenheira Agrônoma, Doutora em Agricultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas – UNESP/Botucatu. Atualmente, é Coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento Agronômico da Union Agro.
Um dos principais desafios da indústria é ter à disposição um volume de cana-de-açúcar com qualidade tecnológica adequada ao processamento, seja para produção de etanol ou açúcar. A maturação da cana de açúcar é fator determinante para o processo industrial, pois, do ponto de vista fisiológico é onde se expressa o máximo potencial de armazenagem de sacarose, e ocorre de forma natural, conforme o clima da região de plantio, sendo crucial para a produção e colheita da cultura.
Com a crescente demanda por produtos de alta qualidade no setor sucroalcooleiro, no entanto, o mesmo fator climático que induz a maturação pode ser considerado negativo ao processo de produção de sacarose na planta da cana-de-açúcar, já que se faz necessária a combinação de temperatura, umidade do solo, precipitação, radiação solar, entre outros fatores para que o processo seja desencadeado.
Sabe-se também, que a maturação da cana-de-açúcar pode ser induzida por meio de químicos com capacidade de alterar a composição fisiológica da planta, atrasando e/ou parando o estádio vegetativo, otimizando a translocação dos açúcares produzidos para o colmo e promovendo maior qualidade na matéria prima, o que é considerado excelente por parte do setor agroindustrial, e otimiza o planejamento de cultivo e colheita.
Mas, e, se fosse possível incrementar o teor de sacarose disponível para que, quando o manejo com maturador químico fosse realizado os níveis de açúcar da planta fossem maiores e, consequentemente, houvesse maior acúmulo deste açúcar?
Com esse intuito, o uso de pré-maturadores nutricionais tem se mostrado ferramenta eficiente para melhoria da qualidade da matéria prima produzida, pois potencializam a produção e o acúmulo de sacarose. Diferem dos químicos pois atuam no metabolismo da planta, por meio de nutrição equilibrada e ativação de processos fisiológicos, permitindo que a cana-de-açúcar atinja o ponto ideal de colheita em um período reduzido, sem comprometer o crescimento da cultura e sua capacidade produtiva nas próximas safras.
A aplicação de nutrientes específicos pode modular a ação de hormônios vegetais como auxinas, giberelinas, e citocininas, favorecendo a maturação da planta. Além disso, elementos como o magnésio, por exemplo, contribuem para a ativação da clorofila, promovendo um metabolismo mais eficiente, com consequências positivas para a translocação de açúcares para os colmos. O potássio e o boro desempenham papel essencial na mobilização e armazenamento de açúcares, elevando o teor de sacarose na planta. Ainda, o fornecimento equilibrado de zinco e manganês pode melhorar a eficiência da planta em condições de adversidade, como estresse hídrico e temperaturas elevadas, participando, também, da ativação de hormônios relacionados à maturação.
Sendo assim, a aplicação desses produtos na cultura da cana-de-açúcar apresenta uma série de vantagens, tais como:
A utilização de pré-maturadores nutricionais deve ser planejada considerando fatores como variedade, condições climáticas e estágio de desenvolvimento da cultura. O manejo adequado é fundamental para otimizar a produtividade e qualidade da matéria-prima destinada à indústria sucroenergética já que estes produtos atuam antecipando a maturação e promovendo maior acúmulo de sacarose.
Usualmente, recomenda-se a aplicação entre 45 e 60 dias antes da colheita, ou mesmo 30 dias antes da previsão de entrada com um maturador químico, período em que a planta está em pleno enchimento dos colmos e acúmulo de açúcares, porém, resultados recentes mostram incrementos significativos também quando utilizados junto a maturadores químicos.
Pesquisas recentes conduzidas pelo consultor Pedro Henrique de Cerqueira Luz (AgroPH) mostram que o uso desta ferramenta de manejo em pré-maturação pode incrementar a produtividade dos colmos em até 12 toneladas de cana por hectare (TCH) e até 3 kg de ATR. Ainda, a utilização destes tem aumentado a tolerância a adversidades, refletindo em maior eficiência fisiológica, maior estabilidade produtiva e maior entrega em ATR e TCH.
A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas do mundo e, no Brasil, tem presença significativa na economia local e nacional. Para obtenção de altas produtividades, entretanto, é necessário adequar o sistema de cultivo e adotar práticas de manejo assertivas, o que inclui o uso de nutrientes, de forma a otimizar a entrega de matéria prima, bem como alcançar a qualidade necessária para um eficiente processamento industrial, fazendo com que tanto indústria quanto produtor alcancem o máximo da rentabilidade do sistema.
Autor(a): Carolina Ruv é Engenheira Agrônoma, Doutora em Agricultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas – UNESP/Botucatu. Atualmente, é Coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento Agronômico da Union Agro.
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